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Nota: 3 de 5 estrelas

Os guitarras pop de Sydney cortam o flerte enquanto se preparam para sua entrada no mercado adulto

“Setenta e cinco por cento das nossas vidas são [gastas] provando que somos uma banda de verdade. Nós não queremos ser apenas, tipo, para garotas. Queremos ser para todos”, disse o baterista da 5 Seconds of Summer, Ashton Irwin, em 2015. Na época, seu quarteto pop-punk de Sydney estava aproveitando a glória de ter esgotado quase todos os shows de uma turnê mundial; seu segundo álbum chegara ao topo das paradas dos Estados Unidos e do Reino Unido, e a Rolling Stone os intitulou como “a banda mais quente do mundo”. Como muitos homens bochechudos que vieram antes dele, Irwin ansiava pelo dia em que seu grupo deixaria de lado o estigma de boyband e o frenesi feminino que o acompanhava.

Esse dia pode ter chegado. Com o lançamento do álbum três programado para o verão, a 5SOS (pronuncia-se “five sauce”) divulgou suas novas músicas com uma apresentação nesta casa noturna com capacidade para 1.000 pessoas. Ele foi anunciado como um show “íntimo”, mas com seus quatro últimos singles não conseguindo alcançar o TOP 20, também pode ser, como diz Ian Faith, da Spinal Tap, que seu apelo tenha se tornado “mais seletivo”. Uma turnê passando por locais maiores será anunciada na próxima semana, então a 5SOS está longe de acabar, mas eles poderiam desde já perceber a loucura (um tanto sexista) que é desejar que sua base de fãs não fosse basicamente formada por garotas adolescentes.

Michael Clifford e Calum Hood. Foto: Roger Goodgroves/Rex/Shutterstock

Mesmo com o pouco tempo como banda – anos de gigantismo produziram uma unidade de rock nítida em termos técnicos próximos de suas influências, Blink-182 e Green Day – é difícil ver a 5SOS alcançando legitimidade entre ouvintes adultos. Apesar de seus maiores sucessos, “She Looks So Perfect” e “She´s Kinda Hot”, capturarem perfeitamente a sensação de ser jovem e ficar desajeitado e entorpecido em torno das mulheres, seu estilo pop excessivo faz a música soar esnobe. Quase não há homens aqui esta noite, e os poucos que apareceram são afogados pelos gritos que acompanham tudo o que acontece no palco.

Além disso, em uma estratégia claramente voltada para fãs do sexo feminino, cada membro tem um perfil diferente. O cantor Luke Hemmings é o alfa, com sua camisa branca fluída e mania de apontar o dedo que lembram Michael Hutchence; o guitarrista Michael Clifford, vestido com a elegância de um skatista, é sensível; Irwin é uma espécie de Pottymouth Spice (Spice Boca Suja); e o baixista Calum Hood, o cara fascinante que toca seu instrumento pendurado para baixo, como um deus do rock.

Mesmo assim, eles não se importam. Não há flertes com a platéia, nem brincadeiras – nada de “espetáculo”, na verdade. Apertados pelo pequeno palco do Heaven, há espaço apenas para os quatro membros da banda e um equipamento de iluminação que muitas vezes os transforma em silhuetas. E lá estão eles, agitando-se amigavelmente e, ocasionalmente, atingindo o ponto chave que sugere que uma nova fase possa estar em suas mãos. Uma nova faixa chamada “Youngblood”, por exemplo, é um fabuloso pisão Neanderthal, enquanto o último single “Want You Back” passa pelo estilo do Maroon 5. Tirando o The Vamps, boybands que tocam violão são raras hoje em dia, especialmente aquelas determinadas a virarem roqueiras ou morrerem tentando: a ambição da 5 Seconds of Summer é algo admirável em vez de risível.

Fonte: The Guardian
Tradução/Adaptação: Fernanda Lima (Equipe 5SOS Brasil)

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