Existe uma certa semelhança nas boybands dos anos 2000. As roupas descoladas, o sorriso travesso, o brilho no olhar, tudo combinado com uma confiança inabalável, aquela que mostra que a pessoa nasceu para ser uma estrela. É quase como um modelo pré-definido de sucesso, uma “cópia” que dá certo.
Mas então vem a 5 Seconds of Summer, mostrando que toda essa estética pode ser reformulada e autêntica, desde que um pouco de punk rock seja adicionado na mistura. E é aqui que entramos em uma máquina do tempo – ou quem sabe em uma limousine? –, para entender como eles abraçaram o rótulo de “boyband” com muita ironia e estilo.

“EVERYONE’S A STAR”, sexto álbum de estúdio da 5SOS, volta às raízes da banda, mas agora aceitando quem eles realmente são, sem medo do que as pessoas possam pensar. E isso só foi possível graças ao fandom:
“Conhecendo nossa base de fãs há tempo suficiente, podemos falar sobre os altos e baixos não apenas de nós mesmos como seres humanos, mas também da trajetória da nossa carreira” – Michael para a Rolling Stone
Como começar uma nova era?

Atualmente, plataformas como X (ex-Twitter), Instagram, TikTok, Facebook, entre outras, facilitam a divulgação de artistas e músicas. Mas você já parou para pensar como isso acontecia antes da ascensão da internet e das redes sociais?
Se as boybands dos anos 2000 inspiraram a criação do “EVERYONE’S A STAR”, nada mais justo do que começar a promover a nova era como elas: de surpresa pelos muros das cidades.
Isso provou algo que todos já sabiam: o melhor lado da 5SOS é criar caos nas sombras!
Da noite para o dia, pôsteres com os dizeres “sua boyband favorita está voltando” surgiram pelas ruas. Eles levavam para um site de mesmo nome com a frase: “o hiato acabou”, sem nenhuma outra informação além de um formulário e um “volte amanhã”.
Então, como os fãs sabiam que se tratava da 5SOS se eles nunca assumiram o rótulo ou se separaram? Fácil: nenhum outro artista seria capaz de brincar com algo do tipo!
“Nós planejávamos ficar juntos, então a narrativa [sobre a separação] que o mundo estava nos impondo acabou sendo muito útil para usarmos quando voltássemos” – Ashton para a News.com.au
Os eventos que as estrelas merecem
Não dá para se tornar a “Obsessão n°1” do mundo se ficar apenas dentro de casa. Certo? Sendo assim, como qualquer boyband dos anos 2000 que se preze, a 5 Seconds of Summer reuniu centenas de fãs em diferentes estilos de evento.
O primeiro foi um show gratuito em West Hollywood, na Califórnia (EUA), no dia do lançamento de “NOT OK”. O evento provou que a era “EVERYONE’S A STAR” veio para ser gloriosa e luxuosa, com a banda chegando ao local de limousine branca.
Trocando o carro pelo avião, a 5SOS pousou na Austrália para dar continuidade à divulgação. Melbourne sediou a coletiva de imprensa mais maluca e divertida da história da banda, com direito a perguntas e respostas, plano de carreira e autógrafos.
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E claro, a terra natal de Ashton, Calum, Luke e Michael não poderia ficar de fora. Sydney garantiu para o quarteto uma das maiores honrarias que celebridades podem receber: a imortalização na Calçada da Fama.
A “Boyband” está com o “Telefone Ocupado”?
“Boyband” e “Telephone Busy” são duas outras faixas que anteciparam o lançamento do “EVERYONE’S A STAR”, e aqui comprovamos que a 5 Seconds of Summer realmente se esforçou para trazer o punk de volta.
O movimento, considerado por muitos especialistas como “rebelde com causa”, surgiu nos anos 70 como uma contestação social, política e estética. Essa contracultura foi muito marcada pela aversão aos valores burgueses, o antiautoritarismo, o pessimismo e a liberdade individual.
Em “Boyband”, por exemplo, a 5SOS crítica a forma como a indústria musical transforma artistas em produtos descartáveis. A faixa expõe como os integrantes são moldados para agradar o público e a mídia, com a ideia estereotipada de “homem perfeito” que nunca pode errar.
Já em “Telephone Busy”, o pessimismo dá as caras quando cada tentativa de contato acaba em silêncio. A repetição de “eu nunca vou mudar” é uma aceitação das próprias falhas, trazendo o peso de não conseguir se moldar ao que as pessoas esperam.
Existe algo interessante na 5 Seconds of Summer que ficou ainda mais nítido em “EVERYONE’S A STAR”: a banda é capaz de se reinventar em cada lançamento sem perder a essência. E é justamente por isso que ninguém brilha como eles!
Com 12 faixas principais, e quatro bônus, o álbum vem como um aviso de que o quarteto já entendeu quem é e o que quer dizer. O especial disso? É a certeza de que Ashton, Calum, Luke e Michael jamais vão mudar para se encaixar em “padrões”.
Tudo na sexta era gira em torno da indústria transformar artistas em objetos, tratando-os como bonecos perfeitos. Então, as novas músicas chegam para mostrar que celebridades também erram, e que isso é natural do ser humano.
“Todo mundo é uma estrela” é um grito para deixar de “associar seu valor pessoal a quantas pessoas estão te olhando e como elas te enxergam”. É sobre entender que só você é capaz de controlar o seu destino e realizar seus sonhos.
Com a fala do Luke em mente, fica a pergunta: pronto para estender o seu próprio tapete vermelho e virar o protagonista da sua vida?
Conteúdo publicado originalmente como parte da primeira edição da zine “Nº1 Obsession”.
Leia na íntegra em: Nº1 OBSESSION (1ª EDIÇÃO): Confira a zine brasileira de “EVERYONE’S A STAR”