06.06.24
Postcards from Australia: como é ser “uma pequena banda de Sydney”
Postado por Fernanda Lima
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Em novembro de 2014, uma 5SOS recém-chegada ao showbusiness, mas já conhecida por hits como “She Looks So Perfect” e “Amnesia”, subiu ao palco do American Music Awards (AMA) para receber o prêmio de “Artista Revelação do Ano”.

No fim do discurso, Ashton Irwin disse uma frase que ficou marcada na história do grupo: “This really shows that a little band from Sydney can do great things” (“Isso mostra que uma pequena banda de Sydney pode fazer grandes coisas”). 

Mas, depois de tanto tempo, me peguei pensando: o que será que essa declaração significou? Como é começar em Sydney, uma das principais cidades da Austrália, mas ainda assim meio distante do restante do mundo? Na coluna “Postcards from Australia”  de hoje, você confere algumas reflexões e explicações sobre a trajetória dos rapazes, a partir da cena musical, dos costumes e do estilo de vida de seu país de origem.

Onde tudo começou para a 5SOS

A história da 5 Seconds of Summer começou bem antes deles tocarem juntos pela primeira vez como banda. Calum, Michael e Luke se conheceram ainda na escola, o Norwest Christian College, no subúrbio de Riverstone, em New South Wales.

Aqui, já temos um detalhe interessante a explicar: o conceito de subúrbio é diferente na Austrália. Apesar de ser um país de largas proporções, a Austrália concentra seus pouco mais de 26 milhões de habitantes na costa. Dividido em estados, o território conta com algumas cidades principais como Sydney, Melbourne, Brisbane, Perth e Adelaide, e os subúrbios — áreas menores, fora dos grandes centros, com menos moradores, um estilo de vida mais pacato e, por vezes, até rural, mas não necessariamente com pior infraestrutura ou menos oportunidades.

“[Riverstone] não é de forma alguma uma área ruim — quilômetros e quilômetros de quarteirões suburbanos, mas também muitas árvores e grandes espaços ao ar livre”, explicou a Rolling Stone Australia em 2014.

Dito isso, vamos voltar ao Norwest Christian College: além da amizade, a paixão pela música foi um combustível importante para a união de Calum, Michael e Luke. Não só pelos gostos em comum, mas também porque o ensino de música faz parte do currículo escolar australiano, seja em escolas públicas ou privadas.

É claro que a aplicação do currículo vai depender da disponibilidade de recursos e de profissionais especializados em cada escola, mas os rapazes tiveram a sorte de contar com pessoas como o professor Adam Day para lapidar seu talento musical desde muito cedo. 

“Eu comecei a dar aula de música para eles no Ano 7, e eles se destacaram em todas as atividades práticas, mas eram muito quietos, tímidos e reservados — eles eram musos enrustidos”, contou Adam ao Sydney Morning Herald.

De amigos de escola a músicos profissionais

Das apresentações na escola aos palcos de casas de show locais, a 5SOS fez um percurso comum na cena musical australiana: “O primeiro show da 5SOS foi em dezembro de 2011, no Annandale Hotel, no interior de Sydney. Foi a primeira vez que três deles estiveram em uma casa de shows e a banda de apoio foi a primeira que Michael Clifford assistiu ao vivo na vida” (Rolling Stone Australia, 2014).

Não dá para cravar se isso aconteceu com os rapazes, mas além de menores de 18 anos não poderem ingerir bebida alcoólica na Austrália, eles também não podem permanecer em bares, baladas ou estabelecimentos do tipo sozinhos — é preciso estar acompanhado dos pais ou de um maior responsável. Por vezes, os jovens artistas esperam do lado de fora, se apresentam e logo vão embora.

Falando em estabelecimentos, música ao vivo faz parte da vida noturna australiana. Um censo realizado em 2017 mostrou que só Melbourne, a cidade de onde escrevo, contava com 463 estabelecimentos de pequeno e médio porte com música ao vivo. Sydney também segue esse padrão, com diversidade de ritmos e eventos — uma boa oportunidade para fãs de música, mas também para artistas que estão começando. 

“Nós tínhamos que dividir o palco com bandas de metal no Annandale. Quase não tínhamos fãs, mas elas eram tão dedicadas, e ir ao Annandale Hotel quando você mal tem 16 anos e é uma garota não é o ideal”, disse Ashton ao Sydney Morning Herald em 2014.

Após a apresentação no Annandale, Adam Wilkinson, o primeiro empresário da banda, que os descobriu antes mesmo de Ashton se juntar ao grupo, foi ousado o bastante para marcar novas apresentações em casas de show maiores e em outras cidades.

A primeira turnê do grupo, a “Twenty Twelve Tour”, aconteceu então em 2012. Passando por casas de pequena capacidade em Adelaide, Brisbane, Sydney e Melbourne, ela focou principalmente na divulgação do EP “Unplugged” e teve todos os ingressos esgotados em poucos minutos.

“Em junho, quando eles marcaram sua primeira turnê, esgotaram duas noites em três capitais em casas de show com capacidade para cerca de 500 pessoas. Mesmo tendo ingressos, os fãs entraram na fila horas antes da abertura das portas, gritaram o show todo, e então esperaram por três horas no final para o meet-and-greet e para ter a chance de comprar produtos de merchandise. Todos os produtos foram vendidos. Um começo pequeno, mas forte o suficiente para trazer ofertas genuínas de três grandes gravadoras e music publishers”, escreveu o jornalista Toby Creswell em 2012.

Dos pequenos aos grandes palcos

Como destacado no primeiro parágrafo da seção anterior, a trajetória da 5 Seconds of Summer seguiu um caminho parecido com o de muitas pequenas bandas da Austrália. A única diferença é que a banda nasceu na mesma época que outro fenômeno musical: a One Direction. Assim, ao serem escolhidos como ato de abertura do grupo, os rapazes rapidamente foram de plateias de 500 pessoas para audiências de até 60 mil. 

“[…] O grupo foi de se unir por conta do gosto por pop-punk, a postar vídeos no YouTube e tocar para 12 pessoas em seu primeiro show no Annandale Hotel em Sydney, em 2011. Só 14 meses depois, eles estavam em turnê pelo mundo com o One Direction”, escreveu Poppy Reid para a Rolling Stone Australia em 2022.

A princípio, os rapazes hesitaram em aceitar o convite, muito pelo medo do rótulo de boy band. Ainda falando com a Rolling Stone, Calum explicou: “Nós estávamos tipo, ‘não queremos ser isso’. Aí deixamos isso de lado e foi uma oportunidade incrível. Fico feliz que tínhamos pessoas à nossa volta dizendo ‘olha, vocês precisam abrir a mente. Uma das maiores bandas dessa geração está pedindo para vocês entrarem em turnê com eles’”.

Músicos dedicados, como na escola e nos pequenos pubs, os meninos aproveitaram a oportunidade para aprender, construir uma base de fãs e fazer conexões que os levaram a saltos ainda maiores, como fazer os seus próprios shows solo na O2 Arena, em Londres, no Madison Square Garden, em Nova Iorque, e até no palco principal de um festival que você *talvez* conheça… o Rock In Rio.

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