O grande escritor francês Júlio Verne uma vez escreveu sobre uma viagem frenética ao redor do globo, mas esse roteiro nem se compara com a recente agenda de viagem da 5 Seconds Of Summer.  É uma manhã de segunda-feira ventosa de Junho, e a banda australiana de pop-rock estão no Andaz West Hollywood, um hotel na Sunset Trip e o lugar que eles irão chamar de casa pelos próximos dois dias enquanto estão na cidade gravando um clipe para a música “Amnesia”. O grupo chegou apenas duas horas antes direto da Suécia, onde eles serviram como apoio para o One Direction na Where We Are Tour- um passeio que tem e vai continuar a empurrar 5SOS na frente de 70,000 fãs gritantes toda noite no Reino Unido, Europa e América do Norte durante o verão. Volta ao mundo em 80 dias? Tente 80 horas.

Mas há pouco tempo para relaxamento. Depois de gravar o clipe na quarta-feira, eles irão para Paris, com uma parada rápida em Londres para tocar no Capital FM Summertime Ball no meio. Seria uma agenda infernal até mesmo para um viajante experiente, mas esse estilo de vida virou a norma para 5 Seconds Of Summer-vocalista/guitarrista Luke Hemmings, guitarrista Michael Clifford, baixista Calum Hood, e baterista Ashton Irwin-enquanto eles entrecruzam o mundo inúmeras vezes durante as últimas semanas enquanto a indústria se prepara para o lançamento do seu auto-intitulado álbum de estreia, que foi lançado no mundo todo em Junho e chegou nos EUA no final de Julho pela Capitol Records.

Dentro de uma sala de conferência no segundo andar do hotel, Hood desliza em uma cadeira colocada na frente de uma mesa de vidro com um laptop da Samsung colocado em sua frente. Ele tem agendada uma entrevista por Skype com a BBC Radio, que estão o parabenizando pelo sucesso do novo single “Don’t Stop”. Porque a entrevista está sendo gravada antes dos resultados finais dos gráficos, os entrevistadores têm um pedido incomum. O Hood despreocupado graciosamente responde perguntas sobre a música como se ele e seus colegas de banda tivessem antigido o 1º lugar nas paradas de singles do Reino Unido (o que marcaria a segunda vez que eles tivessem antigido tal posição), e então uma segunda vez com diferentes respostas se eles cairém [“Don’t Stop” acabou no 2º lugar]

De um modo, é bom ver esses eventos se revelarem, porque há pouca dúvida que 5 Seconds Of Summer vai estrear em qualquer lugar menos que no topo da Billboard 200 quando for lançado na América. Para se ter uma ideia, só olhar para o EP do grupo, She Looks So Perfect, que rendeu 143,000 cópias na primeira semana em Abril e foi bloqueado do topo por pouco pela trilha sonora de Frozen. (“Quando nós atingimos o 2º lugar na América, nós enloquecemos pra caralho“, o baixista de 18 anos diz após completar seus compromissos com a rádio.)

As coisas certamente atingiram um nível febril para a 5SOS esse ano: A viagem do grupo para a América do Norte na primavera esgotou em segundos, e a Where We Are Tour está aí para provar a posição da banda no tão-desejado mercado adolescente. Tudo isso, claro, vem na esteira de seus single de estreia, “She Looks So Perfect”, que encontrou um lugar na Billboard Hot 100 durante meses, atingindo o 24º lugar. Os quatro jovens rapazes são atacados, aparentemente, em todo lugar que eles vão; Eles chegaram em LA durante a noite, mas dezenas de fãs ainda conseguiram rastreá-los apesar de nenhuma informação divulgada de seu paradeiro. Até mesmo hoje, com uma

multidão crescendo fora do Andaz, ninguém envolvido com a banda sabe de como sua localização vazou, levando a pidas sobre uma toupeira na sua cola.

“Sabe, nós somos muitos gratos por tudo que conseguimos”, Hood diz, usando uma camiseta regata preta, um gorro de lã cinza e jeans pretos impossivelmente apertados. “Música é tudo que temos. Nós somos realmente sortudos de estar aonde estamos”.

É a palavra “sorte” que talvez seja o fator mais polêmico sobre 5 Seconds Of Summer. Arrancado da total obscuridade por um membro fazedor de gostos da One Direction em 2012, a banda passou os últimos dois anos no mundo pop ao mesmo que idolatrando os grandes nomes do pop-punk (e diversas vezes capas da Alternative Press) Blink-182, Green Day e All Time Low. Enquanto o comentarista da internet ridiculariza o grupo pelos seus amigos famosos, escolhas de modas e percepção de falta de credibilidade, 5SOS não estão muito preocupados. O salto na lógica frequente de que tomar uma ajudinha da maior boyband do mundo elimina todo o trabalho duro que eles colocaram não parece incomodá-los, parcialmente porque eles são quatro jovens vivendo o sonho de todos os músicos. Bem no fundo, você percebe que 5 Seconds Of Summer sabe que você está provavelmente confuso or irritado-ou os dois-que eles estão na capa da AP. E há uma parte deles que têm grande prazer disso.

Para Luke Hemmings, tudo começou com Good Charlotte. Hemmings foi criado em uma “família não musical”, uma em que banda australianas como AC/DC e INXS tomavam lugar no rádio da sala de estar junto com os Rolling Stones. Não foi até ele ouvir The Young And The Hopeless do Good Charlotte que seu gosto musical começou a mudar. “Acho que eu comprei porque a capa do álbum parecia legal, e Benji tinha um cabelo ridículo”, o Hemmings com olhos turvos, a vítima mais perceptíve do fuso horário e o membro mais jovem da banda, diz. “Esse foi meu álbum favorito durante um bom tempo no meu Discman. Isso me levou a bandas como Green Day; American Idiot foi aonde em cheguei no Green Day. Isso é ótimo porque quando você encontra uma banda, você passa pelos álbuns antigos e espera pelos novos. Foi uma época estranha para começar no Green Day”.

Quando Hemmings descobriu uma guitarra que pertencia a um de seus irmãos mais velhos jogada no meio da casa, ele foi atraído por ela e começou a tocar durante seus 10 anos de idade. (“Meu irmão me ensinou ‘Smoke On The Water’ do Deep Purple, e eu costumava tocar durante quatro horas por dia”, ele revela com uma risada.) Quando ele tinha 14 anos, Hemmings começou a fazer cover de músicas e postar os vídeos no YouTube. O primeiro, uma vesão de “Please Don’t Go” do Mike Posner, foi postado em Fevereiro de 2011, seguido por músicas de Mayday Parade e CeeLo Green. “Eu não tinha muitos amigos, porque eu vim de uma escola diferente”, ele explica. “Ao invés disso, eu costumava fazer essa coisa de música. Eu passava a hora do almoço na sala de música. Os covers eram muito ruins, mas de algum jeito as pessoas começaram a notar. Eu postei alguns, e eles atingiram mais de 30,000 visualizações, e eu não tinha ideia de como tinha acontecido. Foi aí que o Michael notou que eu estava fazendo algo legal. Eu sempre quis ter uma banda, mas nunca conheci ninguém.”

Hemmings conheceu Clifford na Northwest Christian College, uma escola privada e preparatória no subúrbio de Sydney em Riverstone. Hood e Clifford eram colegas de classe durante anos, mas quando Hemmings entrou no grupo, eles sabiam que tinham encontrado um parceiro de música. “Eu comecei a jogar Guitar Hero quando eu tinha 9 ou 10 anos, e isso me levou a música antiga”, diz o Clifford de 18 anos, ostentando seu cabelo verde brilhante. “Eu fiquei realmente bom nisso; Eu quase desisti de tocar guitarra, porque era muito frustrante [ir do video game para o instrumento de verdade]. All Time Low foi o motivo de eu querer estar numa banda e cantar. Eu gostava de Blink, Green Day, Sum 41, coisas assim, mas eu era um superfã de All Time Low. Eu tinha todas as músicas até o Dirty Work, e sabia todas as letras”.

Juntos, os dois amigos fizeram mais covers, incluindo “Check Yes Juliet” do We The Kings, continuando no caminho do YouTube que tinha compensado Hemmings um quantidade respeitável de seguidores. O grupo cresceu pouco depois, adicionando Hood, um auto-proclamado “jovem esportista”. Como Hemmings, Hood credita American Idiot do Green Day como sua introdução ao mundo do pop-punk. Até aquele ponto, ele era influenciado pelo amor por R&B de sua irmã, mas descobrir Green Day o inspirou a parar de jogar futebol e aprender como cantar e tocar guitarra.

“Não gostavam muito da gente”, Hood diz sobre a reação da escola as aventuras musicais do grupo. “Da onde nós somos, não era normal fazer o que estávamos fazendo. Acho que na América, seria normal começar uma banda de rock ou punk na adolescência. Mas lá, ou você era pesado ou era um guitarrista indie-acústico, então não tínhamos muitos fãs na nossa escola”.

Um desses haters antigos era, como se vê, Ahston Irwin. “Todo mundo sabia sobre esses caras fazendo covers no YouTube”, começa o baterista de 20 anos, o mais velho do grupo, usando uma camiseta preta sem mangas do Pink Floyd. “Eu costumava vê-los e ficar realmente irritado porque seus covers eram muito desleixados. Eles só bagunçavam e esqueciam as letras. Eu costumava achar que eles eram uma droga, mas eles eram divertido de assistir por algum motivo. Eles tinham um certo charme”.

Irwin foi criado em Windsor, uma cidade pequena de 1,670 habitantes. Seu padrasto era um baterista que tocava em bandas covers, tocando músicas de Led Zeppelin e Lynyrd Skynyrd em bares locais na região. Foi nesse shows que Irwin se apaixou profundamente por música, e crescer em uma cultura em que música ao vivo era enfatizada iria moldar seus sonhos de um dia tocar em uma banda.

Junto com seu amor por rock clássico, Irwin foi introduzido ao punk por Green Day e a banda punkabilly de Aussie The Living End-apesar da cena logal não ser muito aberta ao gênero. “Era muito fora de moda ser um músico lá”, ele diz de sua cidade natal. “A única cena de música era metal, então se eu quisesse estar em uma banda, eu teria que tocar com os caras tocando músicas do Bullet For My Valentine. Apesar de que eu gostava muito da energia por trás disso”.

Ele ainda seria introduzido ao 5SOS, mas Irwin era muito mais musicalmente realizado que seus futuros colegas de banda, tendo desenvolvido um intenso swing treinando para tocar em grupos como Swallow the Goldfish e Stuck In Reverse. Ele até mesmo tinha tocado no Sydney Opera House em bandas de jazz, mas sua condução e desejo ultrapassava o desejo de seus amigos. Seja por meio de prática ou formando uma banda própria, ele estava determinado em transformar música em seu futuro. Felizmente, a chance veio em forma de uma mensagem no Facebook por Michael Clifford.

Enquanto Irwin estava trabalhando para fazer seu sonho musical virar realidade, Hemmings, Hood e Clifford estavam começando a escrever canções originais sob o nome de 5 Seconds Of Summer e estavam pensando em toca-las na frente de audiências ao vivo. Quando a oportunidade do trio tocar seu primeiro show no Annandale Hotel, um bar famoso no oeste de Sydney, Clifford foi atrás de Irwin, o qual as fortes opniões em relação ao 5SOS haviam mudado. “Eu estava nervoso porque esses caras era meio populares na nossa área”, Irwin diz. “Nós nos dávamos bem como uma casa em chamas, e no fundo da minha mente eu sabia que eu tinha conhecido meus melhores amigos”.

A entrada de Irwin na banda fez mais do que simplesmente fazer começar as sessões de ritmo; fez a banda focar e tomar a direção que precisavam para ficarem sérios. Sob ordens do baterista, o grupo começou a praticar seis vezes por semana, ou na casa de Irwin ou em um espaço pago pelos pais de Hemmings. Eles começaram a matar aulas (apesar de que Hemmings diz que Clifford nunca aparecia muito na escola) para escrever músicas originais, empurrando o foco no novo capítulo e menos na cultura-cover do YouTube.

“Desde o começo, nós dizíamos, ‘Por que não podemos ser como All Time Low e Mayday Parade e Boys Like Girls com harmonias empilhadas?”, Irwin diz. “Nós amávamos as harmonias que Marianas Trench usavam, aquela parede de vocais, estão nós tentávamos replicar isso. Nós queríamos quatro vocalistas, queríamos que todo mundo cantasse e falasse ao vivo. Isso é estranho porque nós não tínhamos nenhuma referência; estávamos meio que fazendo nossa própria coisa”.

O quarteto pode ter encontrado sua chamada musical, mas, assim como seus colegas, a cena local de Sydney não era muito acolhedora. “Era muito hardcore punk”, Hood lembra. “Nós começamos tocando em bares com todas as bandas; nós seguíamos essa banda de hardcore que tinha circle-pits em seus shows, e nós ficávamos sentados pensando ‘Merda, nós somos os próximos’. Nós subíamos no palco, e tinha tipo, 20 garotas na platéia. Não éramos sempre a banda isolada. Nós íamos nos bastidores e todo mundo ficava tipo, ‘Foda-se esses caras’.

Quando você está em uma banda iniciante, fazer uma turnê na Austrália é praticamente impossível. As maiores cidades do país são dezenas de horas de distância de carro, o que significa que 5SOS teriam que ser criativos se estivessem sérios sobre criar seguidores. “Começamos a tocar nos finais de semana”, Hood continua. “Nós terminávamos a escola, aí voávamos para Brisbane e fazíamos um show, e voávamos para Melbourne. Não dá pra dirigir, porque é muito longe. De qualquer forma, não tínhamos um carro. Nós tocávamos quatro cidades em dois dias e aí voltávamos para a escola. Você ficaria na aula de matemática simplesmente odiando. Mas nós ganhamos vários fãs na Austrália, e eu estava contente em fazer isso o resto da minha vida”.

Com cada show que eles tocavam, a legião de fãs da banda começava a crescer. Logo, eles estavam tocando em casas de show com capacidade para 300 pessoas, assinando um contrato de lançamento Australiano com a Sony/ATV antes de entrarem em turnê como apoio na turnê australiana do Hot Chelle Rae no outono de 2012-antes mesmo de lançarem um EP adequado. Mas mesmo que as coisas estavam subindo, o grupo não estava nem um pouco preparado para o tipo de mudança drástica que iria acontecer.

O tweet de Louis Tomlinson foi simples: “Tenho sido um fã dessa banda por um tempo, todos fiquem de olho neles”. O membro da One Direction postou a mensagem-com um link para um vídeo do 5 Seconds Of Summer tocando a versão acústica de sua música “Gotta Get Out”-no dia 6 de Novembro de 2012. Não muito depois, Hemmings, Hood, Clifford e Irwin receberam uma proposta da One Direction pelo seu gerente. A boyband multi-platina queria que 5SOS abrissem as datas no UK, EUA e Austrália na Take Me Home Tour, uma grande corrida incluindo, entre outras paradas, 10 noites na London’s O2 Arena e quatro noites na STAPLES Center em Los Angeles. Como não eram fãs da One Direction, as reações do grupo foram previsivelmente misturadas. Hemmings imediatamente disse não; Hood foi menos provocador, enquanto Clifford sugeriu que a banda esperasse na esperança de conseguir uma vaga na Vans Warped Tour 2013. Irwin, entretanto, foi mais aberto a ideia.

“Nós vimos esse negócio de boyband e pensamos, ‘Isso não é o que nós somos; por que nós iríamos querer sair em turnê com eles?'” Irwin explica. “Mas eu sou o membro da banda com a visão mais ampla. Sabe, se você fizer isso, pode levar a isso. Eu estava tipo, ‘Caras, são arenas. São 20,000 pessoas por noite durante um ano’. Eles estavam com medo que nos rotulassem como o próximo One Direction. E eu estava tipo, ‘É, mas se eles vierem nos ver ao vivo, perceberão que esse não é o caso'”.

“Nós não sabíamos se iria funcionar muito bem”, Hemmings confessa. “Acho que nós só tínhamos feito por volta de 16 shows até aquele momento. Além do mais, nós achavamos que éramos muito, muito diferente da One Direction. Eles tinham fãs muito dedicados-eles vão nos odiar? Nós realmente não queríamos ser o 1D australiano”.

Até aquele momento, o grupo estava aprimorando suas letras em Londres, em uma casa perto do Wembley Stadium. Eles foram empurrados para sessões de escrita com compositores profissionais de cada gênero, incluindo Nick Hodgson, baterista do Kaiser Chiefs. Foi durante esse tempo que a banda conheceu o vocalista do Goldfinger e produtor John Feldmann, o homem que eventualmente iria guiar a maioria de seu álbum de estreia e servir como mentor para o jovem grupo.

“Eu pensei, ‘Wow, esses jovens sabem cantar e tocar seus próprios instrumentos'”, diz o produtor em uma entrevista separada. “A maioria das coisas que chegam a minha mesa ou são ska ou são bateria com pedal duplo e berros, então foi legal. Acho que eles fizeram uma porção de sessões de composição com as pessoas que estavam programando as baterias. Um monte de produtores que trabalharam com eles antes de mim tentaram empurra-los para o negócio do Hot Chelle Rae-é uma banda, mas é programada. Até One Direction; é um monte de sinetizadores. Eles ficaram muito ansiosos que eu queria montar a bateria e tocar”.

“Foi uma curva massiva”, diz Hemmings sobre o tempo passado pelo grupo em Londres. “Ser jogado bem no fundo desse jeito… Acho que é assim que nós temos feito a maioria das coisas na banda. Todas as músicas antigamente não eram tão boas quanto as músicas que temos agora. Foi uma experiência crescente aprender a arte da composição”.

Essa jornada de composição não só ajudou a banda à lançar hits, mas também os deu a chance de trabalhar com seus ídolos. Feldmann é um Rolodex andante e falante, e ele ajudou 5SOS a se encontrar com músicos como Alex Gaskarth do All Time Low e Benji e Joel Madden do Good Charlotte, todos eles trabalhando com a banda em seu álbum de estreia. (Jake Bundrick, baterista do Mayday Parade, escreveu uma música para possível inclusão em uma versão deluxe do álbum.) Para a banda, foi um sonho que se tornou realidade.

“Eu mandei um tweet para o Alex em 2011 logo depois que criamos um Twitter”, explica Clifford. “Ele dizia algo do tipo,                 ‘Um dia, minha banda será relevante o suficiente para que você possa me seguir’. Eu li isso depois e pensei: ‘Merda, isso soa estranho’ e deletei”. Ele ri. “É uma viagem, cara. Eu nunca pensei que eu seria amigo desses caras”.

Lá por meados de Maio, 5 Seconds Of Summer viajou até Las Vegas para o Billboard Music Awards, o que marcou a primeira apresentação da banda na TV americana e serviu como a festa de inauguração. A perfomance de “She Looks So Perfect” foi uma apresentação de programas de premiação como outra qualquer, mas muito do falatório em relação a 5SOS naquela noite não foi sobre a música-foi sobre a escolha de camiseta de Luke Hemmings, uma que estampava o icônico logo “Crimon Ghost” dos Misfits.

“LOL eu quero interromper essa perfomace da @5SOS/boyband e pergunta pro vocalista usando uma camiseta do Misfits se ele sabe nomear uma música ou álbum dos Misfits”, escreveu o ex-editor da Billboard Bill Werde em um tweet, um sentimento que a vocalista do Paramore Hayley Williams concordou. Depois, uma coleção de tweets incrédulos semelhantes apareceram em uma matéria do Metalinjection.net sob o título “Um Pop Star Usou Uma Camiseta do Misfits No Billboard Music Awards & a Internet Pirou”.

Hemmings não sabia o que ele tinha causado até AP mencior o ocorrido, e sua reação incial foi risada. “Acho que foi bem legal porque eles não falaram nada mal sobre a nossa perfomance”, diz o cantor. “Acho que nós estamos indo bem se é por isso que as pessoas conseguem nos odiar. Eu gosto de Misfits, mas não amo. Eles são aceitáveis. Acho que o logo é genial. Eu não sabia que seria um problema; Eu ia usar uma camiseta diferente mas decidi que não”.

Pode não ter sido um incidente isolado, mas a controvérsia da Billboard mostra que realmente não há meio-termo quando se trata de opniões sobre a banda-principalmente na área cinzenta entre como outros os vêem e como a banda vê a si mesma. Olhe não muito além da guerra de palavras entre AP e AbsolutePunk.net sobre a capacidade da 5SOS de trazer o pop-punk de volta ao mainstream. Em maio, o funcionário da AP Matt Crane escreveu um artigo argumentando que o grupo poderia servir tanto como uma banda de introdução a novas bandas quanto um jeito do pop-punk experimentar um renascimento no mainstream. (“Você devia ter visto a minha reação quando eu li aquele artigo”, Clifford diz com um grande sorriso. “Eu estava tipo, ‘Isso aí! As pessoas estão finalmente entendendo'”)

Em resposta, AbsolutePunk.net publicou uma resposta dizendo que a ideia de comparar 5 Seconds Of Summer com bandas como The Wonder Years é ilógica. “5 Seconds Of Summer, ao contrário do que seus membros dizem, é uma boyband”, diz o artigo escrito por Thomas Nassiff. “Na verdade, 5 Seconds Of Summer provavelmente não vai trazer nada novo. Muito provavelmente eles vão tentar seguir os passos do fenômeno que é One Direction, falhar em sua tentativa, e desaparecer com nada além de algumas centenas de milhões de visualizações no YouTube.

“Acho que em dois anos, nós podemos ser vistos ou como os líderes da nova geração do pop-punk ou como ‘aquela banda ruim que abriu pra One Direction'”, admite Clifford. “Mas até onde nós vemos, tudo que nós sempre quisermos foi trazer de volta guitarras. Esse tem sido o nosso objetivo desde o começo: E se nós pudéssemos conseguir uma música que tenha guitarras no Top 20?”

A banda tem sido rotulada como uma boyband durante anos, e eles admitem que, apesar que costumava irritá-los, eles perceberam que pessoas que chamam eles assim não conhecem sua história. Mas quando se trata da ideia de que eles estão destruindo o pop-punk, eles ficam ofendidos.

“Nós queremos que o pop-punk volte”, diz Clifford. “Eu não acho que AbsolutePunk.net percebe que nós estamos do lado deles. Não há nada mais que nós queremos do que The Story So Far sejam grandes, mas eles não entendem que é o nosso objetivo fazer isso acontecer. Eu vejo porque eles poderiam estar confusos, nós somos uma banda meio confusa. Mas nós queremos a mesma coisa que eles querem, só que o jeito que nós estamos indo atrás disso é diferente. Se uma banda como All Time Low crescesse graças ao nosso sucesso, seria incrível”.

Alguns podem ver o discurso de Clifford como arrogante, mas representa um ponto de discussão forte. A maior primeira semana do All Time Low foi 63,000 cópias com Nothing Personal; 5SOS fez mais do dobro que isso com só um EP. Seu album de estreia tem o potencial de catapultar a banda em um número de vendas que seus heróis do pop-punk moderno só poderiam sonhar-por sua vez, deixando-os em um lugar muito precário em sua carreira. Feldmann acredita que se 5 Seconds Of Summer fosse sair em turnê com All Time Low, seriam os pop-punkers de Maryland que desempenhando o papel de apoio, uma afirmação que Clifford imediatamente nega. “Nós sempre pensamos como seria se nós saíssemos em turnê com All Time Low, mas eu nunca deixaria nós tocarmos depois deles”,  o guitarrista explica. “Uma banda como essa é o motivo de eu estar tocando música. Eu não poderia ficar lá e dizer, ‘Todo mundo gostou do All Time Low?’. Nós a amaríamos abrir para eles”.

“É definitivamente estranho”, Alex Gaskarth diz sobre o conceito de papéis invertidos em uma entrevista separada. “Foi estranho quando nós saímos em turnê com bandas que nos influenciaram, mas acho que o mesmo vai acontecer com 5SOS. Eles cresceram nsanamente, mas eles não deveriam se sentir mal sobre isso. Se chegar o dia em que esses caras estão esgotando arenas e nós ainda não, eu ficaria feliz em abrir para eles. As bandas que continuam a fazer sucesso são as que podem dar um passo para trás e dizer, ‘Dane-se, vamos abrir para essa banda mais jovem'”.

Muito do debate em torno da 5SOS é sobre a noção de credibilidade. Por causa de suas circunstâncias casuais (e de sua desvantagem geográfica), a banda foi forçada a dormir em incontáveis vans em paradas de caminhões e comer miojo. Os membros vão ser os primeiros a dizer que eles são incrivelmente sortudos de terem atraído a atenção da One Direction, mas a sua rápida subida ao sucesso não deveria ser usada contra eles. Quando se trata de pop-punk, o debate fica um pouco complicado (principalmente porque o gênero mudou de forma tão drástica desde seu surgimento e agora é usado de forma genérica), mas musicalmente falando, 5 Seconds Of Summer não são muito diferentes dos atos mais pop da Vans Warped Tour. Sem a ajuda da One Direction, gravadoras como Fearless e Hopeless estariam jogando muito dinheiro para eles.

“Pra ser honesto, acho que todo esse negócio de credibilidade é besteira”, diz Gaskarth. “Eu realmente não acho que hoje em dia o tempo que leva para você fazer sucesso importa. Essa perspectiva de todo mundo precisar ganhar algo-tipo você não merce se você não viveu em pacotes de ketchup-é irritante para mim. Eu realmente acho que isso não é mais onde nós estamos”.

Feldmann leva a um passo adiante: “Se tem pessoas por aí que gostam de rock ou estão em uma banda e desrespeitam 5 Seconds Of Summer porque eles são uma ‘boy band’ ou porque eles não saíram em turnê por tempo o suficiente, tudo que elas estão fazendo é arruinando as chances de nós continuarmos ouvindo músicas com guitarras nos rádios em 2014. Se você quer tirar isso, você está começando tudo de novo”.

A banda sabe que eles tem uma subida íngreme quando se trata de conquistar a cena. Eles também percebem que eles não podem sair em turnê com One Direction para sempre-eles nem querem-e todos os membros dizem que a Where We Are Tour marcará a última vez que os dois grupos atingem a estrada juntos. (Tendo dito isso, os dois grupos compartilham gerência, significando que 5SOS sempre vai estar ligado a One Direction de alguma maneira). Mas quando os dizem que eles são muitos populares (e muito caros) para tocarem na Warped Tour, eles dão risada  e parecem surpreso. Em um cenário perfeito, eles seriam capazes de andar pela cena enquanto tocam no rádio, assim como bandas como Fall Out Boy e Paramore. Mas não importa o que aconteça, 5SOS diz que eles não mudar sua música ou ideais para fazer os outros felizes.

“Eu realmente gosto quando as pessoas dizem que nós não deveríamos estar aonde estamos”, diz Irwin em reposta as críticas. “Eu acho que desafiar as pessoas é a coisa mais esperta que uma banda pode fazer. Signfica que você está fazendo algo diferente. Eu e os garotos sempre dizemos que nós queremos fazer uma influência; em 10 anos, não quero que as pessoas digam, ‘Como nós podemos fazer uma música que soe como 5 Seconds Of Summer?’. Nós não queremos ganhar fama de uma banda que tentou soar como outra pessoa”.

“Nós praticamente desistimos de tudo para seguir nossos sonhos”, Hood argumenta. “Nós trabalhamos duro para caramba, cara. Era realmente difícil ir para escolar e sair em turnê no final de semana e depois voltar para a escola. E ensair bastante, escrevendo músicas em seu quarto-músicas que eram uma merda que fazim você pensar que você nunca iria para lugar nenhum. Mas acho que merecemos tudo que ganhamos”.

“É sobre isso que deveria ser, cara”, diz Joel Madden do Good Charlotte em uma entrevista separada. “Jovens deveriam poder começar bandas em garagens e no momento seguinte, eles estão abrindo para One Direction. Isso aí. Eu aceitaria também. Não é nem um debate para mim. Eu gosto da história porque eu conheço os caras, e eu sei que a história é real. Se eu fosse 5 Seconds Of Summer, eu preferiria que a minha banda fosse o centro de debate do que a banda de outra pessoa. Good Charlotte era o centro do debate, e aprendemos a viver e deixar isso nos alimentar”.

“Eu acho realmente ofensivo quando as pessoas dizem que você não merece estar em tal revista, porque nossas educações tem sido mais normais que os outros”, Irwin conclui. “Nós viemos de uma garagem. Algumas pessoas dizem, ‘Você certamente não pode estar feliz com o tipo de música que você faz’. Isso é loucura. Nós amamos a música que fazemos. Nós queremos que todo mundo goste da banda. Nós não nos limitamos a somente uma audiência”.

Ele pausa. “Você sabe, a minha mãe gosta de Blink-182; ela não gosta de pop-punk, mas ela gosta de Blink-182. Não acho que um objetivo como esse seja impossível”.

Em breve postaremos a segunda parte da matéria traduzida 

Tradução/Adaptação: 5SOS Brasil

16/10/14 | matérias
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